terça-feira, 13 de julho de 2010

Broto Dentário

A abordagem de MacDougall não é a única, porém. Há quem favoreça o cultivo de um dentre dentro da gengiva mesmo, permitindo que o cimento e os ligamentos se desenvolvam de maneira mais natural. O plano é inserir um dente em uma gengiva em estágio muito anterior de seu desenvolvimento, quando não passa de um conjunto de células, um "dente em botão" de apenas alguns milímetros de comprimento.

Um dos que planejam usar essa abordagem é Jay Vacanti, que trabalha no Massachussets General Hospital, de Boston. Vacanti é um dos pioneiros na engenharia de tecidos -cinco anos atrás, ele ajudou a criar a famosa "orelha" artificial implantada de maneira tão bizarra nas costas de um rato. Em trabalho submetido para publicação, ele e Pam Yelick, do Instituto Forsyth, de Boston, estão cultivando dentes dentro de ratos, em seus intestinos. Trata-se de uma técnica já testada com sucesso na engenharia de tecidos, aproveitando o rico suprimento de sangue intestinal.

"Nós geramos com sucesso pequenos dentes que contêm estruturas epiteliais e mesênquimas", diz Yelick. "Agora, estamos aprendendo como criar dentes maiores alterando as condições de cultivo". Por enquanto, Vacanti e Yelick estão obtendo células de dentes em desenvolvimento em embriões de ratos. Yelick diz que o próximo obstáculo será descobrir como cultivar dentes com células-tronco adultas.

Em Londres, depois de muitos anos de trabalho com células-tronco embriônicas, Sharpe está agora usando células-tronco adultas, ainda que não revele quais. E está cultivando dentes em soluções de cultura, e não no interior de animais. Ao descobrir as moléculas sinalizadoras corretas, ele persuadiu diversos tipos de célula-tronco de camundongos adultos a se desenvolverem como células progenitoras de dentes e como dentes imaturos.

O próximo passo para ele é implantar os brotos de dentes em mandíbulas de animais. Ele calcula que o broto dentário em desenvolvimento atrairá suas próprias conexões nervosas e sangüíneas, e desenvolverá cimento e ligamentos próprios. "Assim que se dá o primeiro empurrão, eles crescem sozinhos", diz.

Ainda que tenha publicado poucos detalhes de suas técnicas, diversos pesquisadores no ramo acreditam que Sharpe seja o cientista a observar. Sharpe confia em que suas técnicas atingirão estágio clínico, e criou uma empresa, a Odontis, para explorá-las. Ele não se preocupa muito com as críticas de que o desenvolvimento de dentes é complexo demais para ser emulado. "Sim, é complicado", diz. "Mas estamos permitindo que as rotas naturais de desenvolvimento embriônico trabalhem em nosso favor".

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