terça-feira, 13 de julho de 2010

Produção adicional de dentes

Existem inúmeros motivos para acreditar que a regeneração de dentes é viável, de acordo com Mary MacDougall, diretora associada da Escola de Odontologia da Universidade do Texas. Muitos dos vertebrados inferiores desenvolvem novos dentes constantemente -e algumas espécies de tubarões produzem milhares deles ao longo de uma vida. Ainda que os mamíferos tenham perdido essa capacidade há muito tempo, as pessoas com certas doenças genéticas de fato geram dentes adicionais. E os ossos -que compartilham de certos materiais básicos com os dentes- podem se regenerar depois de ferimentos, então por que o mesmo não se aplicaria aos dentes? "A cada vez que temos uma fratura, nossos ossos se curam. Estamos apenas tentando aumentar a capacidade do corpo quanto a isso", diz MacDougall.

Não será fácil. Os dentes são compostos por diversos tipos diferentes de tecidos, entre os quais a dentina dura, e por uma camada fina de esmalte-a substância mais dura do corpo humano. O desenvolvimento deles é deflagrado por sinalização bilateral entre as células de pele, ou epiteliais, das gengivas e as células ósseas. As dificuldades são muitas, mas existem muitos pesquisadores otimistas e trabalhando em linhas diferenciadas de ataque. MacDougall diz: "É essa mistura de abordagens que levará a uma solução".

A posição dos otimistas foi estimulada pela confirmação de que existem células-tronco dentárias. As células-tronco têm a capacidade incrivelmente valiosa de se desenvolver na forma de tipos diferentes de tecido. No passado consideradas como presentes exclusivamente em embriões, agora se sabe que elas de fato persistem em muitos tecidos.

Dois anos atrás, Songtau Shi e colegas do Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos descobriram células capazes de se tornar odontoblastos produtores de dentina. Os pesquisadores usaram polpa dental extraída de dentes do siso (3º molar) humanos, dividiram-na com enzimas e procederam à incubação em soluções de Petri. A maior parte das células morreu, mas algumas poucas continuaram crescendo e se dividindo -um sinal claro de que se tratava de células-tronco. Os pesquisadores calcularam que dos milhões de células em uma câmara de polpa dentária, cerca de 80 são células-tronco.

O próximo desafio era descobrir se essas células poderiam ser encorajadas a se desenvolver na forma de odontoblastos. A equipe de Shi misturou as células-tronco da polpa dentária com hidroxiapatita, a parte mineral da dentina, e as implantaram sob a pele de camundongos, para simular sua posição normal debaixo das células epiteliais da gengiva. Dois meses mais tarde, algumas das células haviam se transformado em odontoblastos, e começaram a excretar dentina, com sua reveladora estrutura cristalina. E algumas haviam formado uma substância semelhante à polpa, contendo vasos sangüíneos e tecido nervoso. "Todos nos surpreendemos quando vimos o resultado no microscópio", relembra Shi. "A experiência demonstrava que a regeneração de dentes era pelo menos teoricamente possível".

Transformar camundongos em fábricas de dentes é uma opção pouco atraente. Outros pesquisadores estão tentando gerar o sinal vital epitelial de maneira mais autêntica. Localizar as células-tronco do epitélio será muito mais difícil do que localizar as da polpa dentária. Durante o desenvolvimento, as células produtoras de esmalte (ameloblastos) se posicionam sobre o esmalte que excretam. Tão logo um dente irrompe através da gengiva, a camada superficial de ameloblastos é desgastada rapidamente e perdida para sempre -ou é isso que as pessoas sempre acreditaram.

MacDougall, porém, diz que sua equipe descobriu uma fonte de células epiteliais dentro dos dentes de ratos adultos -ainda que ela não informe exatamente onde por motivos comerciais. Quando essas células são cultivadas em laboratório ao lado de células de polpa dentária, formam-se estruturas de dentina e esmalte. MacDougall diz que "não é 100% um dente", mas perto disso. O próximo passo de seu grupo será implantar o dente nas mandíbulas de animais, permitindo que ele se funda lentamente com o osso ao longo de alguns meses. Em clínicas, um cronograma assim longo seria desvantajoso, diz ela, mas não muito pior do que o dos implantes de titânio usados hoje, lembra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário