Esses implantes de brotos de dentes seriam quase como a coisa real -mas não completamente. MacDougall tem objetivo ainda mais ambicioso -persuadir dentes a crescer, do zero, de dentro da gengiva. Ela acredita que a pesquisa de sua equipe sobre uma bizarra desordem genética chamada displasia cleidocranial abrirá o caminho. As pessoas afetadas sofrem de diversas anormalidades, incluindo cabeças deformadas, falta de ossos claviculares e, intrigantemente, dentes adicionais.
Todos os problemas derivam da mutação de um único gene, o RUNX2. Ele tem tantos efeitos que é evidente que deve desempenhar um papel-chave no desenvolvimento inicial do esqueleto, conectando-se a muitos genes posteriores, diz Macdougall. O laboratório dela está tentando descobrir qual desses genes posteriores deflagra o desenvolvimento de dentes, e como acioná-lo. "O corpo tem capacidade para fazê-lo. Precisamos apenas aprender mais sobre o processo e adquirir controle sobre ele", diz. MacDougall quer ganhar a capacidade de provocar o desenvolvimento de um novo dente com uma ou duas injeções na gengiva, para que alguns meses mais tarde surja um dente plenamente formado.
Embora os implantes de brotos dentários de Sharpe talvez pareçam mais promissores por enquanto, a meta de longo prazo de MacDougall talvez se prove mais simples para os pacientes. MacDougall admite, porém, que esse tratamento envolveria um preço a ser pago. O processo de surgimento de um dente através da gengiva -a dentição-, é algo que não nos deixou muito contentes da última vez que passamos por ele, aos seis meses de idade. "Jamais pensamos na erupção de dentes como problema, até recentemente", diz. "Um jornalista de uma revista masculina de saúde me perguntou se os homens estariam prontos a passar de novo pela dentição. É um problema potencial". A maior parte das pessoas conseguiria suportar o desconforto sem muitas queixas, acredita ela. "Suponho que possamos lhes receitar anestésicos, ou um protetor bucal".
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